Precisamos nos mover, juntos
Sabemos que a união faz a força. Nós, pecuaristas, temos a força, mas falta a união.
Paulo de Castro Marques
O tema está meio batido mas vou usar esse espaço para falar novamente das potencialidades da pecuária brasileira. Aliás, trata-se do meu e do seu negócio; é para o sucesso de nossos projetos de criação e seleção que investimos horas preciosas do nosso tempo. Portanto, nada mais importante para a classe produtora do que analisar as tendências e as perspectivas – mesmo as negativas.
Um número, reproduzido nesta edição da revista Casa Branca Press na reportagem sobre a crescente participação das exportações brasileiras de carne bovina, me salta aos olhos. Uma instituição norte-americana, o Instituto de Pesquisa de Políticas Agrícolas e Alimentares dos Estados Unidos (Fabri), está divulgando que até 2015 o Brasil será responsável por mais de 50% das vendas externas de carne bovina. Serão mais de 2,2 milhões de toneladas/ano, estima o órgão. Na mesma reportagem, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) traz uma outra estatística, considerando cenário para a próxima década. Entendem os técnicos do MAPA que em 2017 o nosso país fornecerá 2,8 milhões de toneladas de carne bovina por ano para mais de 150 países!
Entendo que a previsão ao instituto norteamericano seja conservadora e a do MAPA mais realista. Afinal, nos primeiros cinco meses de 2007 o Brasil já exportou 1,15 milhão de toneladas de carne bovina, com aumento superior a 30% sobre o já espetacular desempenho do ano passado. Mas não é nas exportações que desejo me aprofundar aqui. É na produção de carne bovina. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confia que o Brasil produzirá 13,15 milhões de toneladas de carne vermelha em 2017.
Bom, o raciocínio é lógico: se estamos em torno de 9 milhões/t/ano, precisamos crescer à taxa de 1,5% ao ano para, em uma década, saltar 46%, segundo as previsões do MAPA.
Meu objetivo aqui não é analisar se é possível avançar nesse ritmo, mas renovar a confiança dos senhores na produção de carne bovina de qualidade. Definitivamente, nós, pecuaristas, precisamos entender a relevância do nosso papel na cadeia produtiva. Não se trata apenas de analisar uma estatística fria, mas de avaliar o nosso negócio e a maneira como o encaramos e como os demais agentes nos encaram.
Se um órgão oficial dos Estados Unidos acredita que o Brasil será, em breve espaço de tempo, responsável pela exportação de mais de 50% da carne bovina no mundo, isso quer dizer muito para nós. Essa estatística reforça nossa importância como fornecedores de alimentos de qualidade. Senhores, isso significa que se nós não cumprirmos bem o nosso papel talvez não haja carne para abastecer a população mundial em poucos anos! Simples assim.
Trata-se de uma situação intrigante. Ao mesmo tempo que essa realidade salta aos olhos, continuamos discutindo questões básicas, como nosso própria sobrevivência na pecuária. É fantástica a perspectiva da atividade, mas e nós, os produtores, como ficamos no processo? Até quando ficaremos acomodados e, cá entre nós, desunidos, não exigindo, com a força de quem detém 200 milhões de cabeças, justa remuneração. Precisamos nos mover, juntos. Alguns sinais são evidentes e iniciativas, tímidas ainda, ocorrem pelo País. Uma delas é o Programa Carne Angus Certificada, da Associação Brasileira de Angus, que depois de tremendo sucesso no Rio Grande do Sul está chegando a São Paulo, a partir de acordo com o Grupo Marfrig.
Mas é preciso fazer muito mais. Não devemos esperar que os outros façam o que é fundamental para o sucesso do nosso negócio. Então, o que você propõe?
Paulo de Castro Marques
Casa Branca Agropastoril

