Fazenda-empresa, a realidade do Brasil rural

Paulo de Castro Marques
O agronegócio brasileiro comprova cada vez mais o seu papel de pilar da economia brasileira. Nesse cenário positivo, destacam-se várias atividades, entre elas a pecuária de corte, que coloca o Brasil na liderança do ranking mundial de exportadores de carne bovina, com US$ 3,1 bilhões em 2005. É o terceiro ano consecutivo em que o Brasil ocupa tal posição privilegiada.
O sucesso no mercado externo é o indicador mais visível do trabalho realizado nos bastidores, mais especificamente nas fazendas pecuárias, e que reflete toda a cobrança por profissionalização que invade o campo. Pensar que o meio rural é atrasado, precário em recursos e desqualificado significa virar as costas para um gigante, que representa 1/3 de tudo o que é produzido no Brasil. Não estamos falando em pouca coisa: são mais de US$ 200 bilhões/ano.
Assim como acontece nas grandes empresas urbanas, o pecuarista que não administra sua propriedade com tino empresarial não sobrevive às exigências cada vez maiores em termos de produtividade, eficiência, genética, gestão. O primeiro passo nesse sentido é a definição de um programa de qualidade e excelência, que envolva capacitação de mão-de-obra, treinamento constante, bons salários, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Esses fatores unidos estão na base da produção de qualidade. A estrutura de uma fazenda deve ser o espelho de uma organização profissional, em que cada agente exerce sua função interagindo de forma uniforme com os demais elos do negócio. Nesse sentido, reuniões periódicas que estabeleçam diretrizes e definam procedimentos de trabalho encaixam-se perfeitamente.
Além dessa estrutura, há outro fator indispensável nas empresas pecuárias: a tecnologia. Hoje em dia não é viável economicamente a execução das tarefas mais simples até as mais complexas sem o apoio indispensável de um sistema informatizado. Na empresa-fazenda, a análise do rebanho é controlada eletronicamente, seguida pela geração de um completo banco de dados com todas as informações dos animais. O uso de tecnologia também deve ser empregado na rastreabilidade total dos procedimentos. Essa é uma exigência internacional.
Em tempos de baixa remuneração, contenção de despesas e diminuição das margens de lucro, o pecuarista deve programar os seus investimentos com eficiência, nunca cessá-los. Buscar a redução de custos é essencial, mas o investimento em genética, por exemplo, precisa ser realizado, sob pena de colocar em risco toda a estrutura, por mais organizada que seja. Afinal, a genética está diretamente ligada à produtividade, à maior produção de bezerros, à evolução do ganho de peso, da fertilidade, da oferta de carne. E isso tudo reverte em melhor remuneração, com o recebimento de prêmio dos frigoríficos.
Os números de exportação reforçam essa necessidade. O mundo quer consumir carne e o Brasil tem todas as condições de bater novos recordes de venda. Mas, para isso, é preciso ter oferta de qualidade, o que se consegue apenas com o profissionalismo que invade nossas fazendas e com a indispensável base genética superior.
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